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Io, na mitologia greco-romana, é uma das paixões de Zeus, cuja história foi contada por Ésquilo, em Prometeu Acorrentado, e também por Ovídio, em Metamorfoses.

FamíliaEditar

Io é uma princesa de Argos. Segundo Pseudo-Apolodoro, ela é filha de Argos e Ismênia, filha de Asopo; mas Pseudo-Apolodoro também apresenta versões alternativas: segundo Castor, o analista ela era filha de Ínaco e segundo Hesíodo e Acusilau ela era filha de Piren, que aparece no texto de Pseudo-Apolodoro como o irmão que Belerofonte matou e levou a seu exílio.

Segundo Pausânias, Io é filha de Iaso, filho de Triopas, rei de Argos. Triopas era neta de Argos, e este neto de Foroneu.

SeduçãoEditar

Zeus seduziu Io quando ela era uma sacerdotisa de Hera, e esta a transformou em uma vaca branca, requisitou a vaca para si e colocou Argos Panoptes de guarda.

Sua beleza despertou a paixão de Zeus, que, para cortejá-la, cobriu o mundo com um manto de nuvens escuras, escondendo seus atos da visão de Hera. A estratégia falhou e a deusa, desconfiada, desceu do Monte Olimpo para averiguar o que estava acontecendo. Numa vã tentativa de iludir sua esposa ciumenta, o deus transformou sua amante em uma belíssima novilha branca. Intrigada pelo interesse do marido no animal e maravilhada com a beleza do mesmo, Hera exigiu a novilha para si e a pôs sob a guarda do gigante Argos Panoptes. Argos quando dormia mantinha abertos cinqüenta de seus cem olhos.

Zeus encarregou Hermes de roubar a vaca, e, não conseguindo roubar em segredo, Hermes matou Argos; Hera enviou um inseto para infestar Io, que vagou da Grécia até o Egito, onde, à beira do Rio Nilo, retornou à forma de mulher, dando à luz Épafo.

Segundo outra versão, Zeus encarregou Hermes de libertar sua amada. Para tanto, o mensageiro dos deuses, usando a flauta de , pôs para dormir os olhos despertos de Argos, enquanto os outros cinqüenta dormiam um sono natural, e cortou sua cabeça. Hera recolheu os olhos de seu servo e os pôs na cauda do pavão, animal consagrado a ela.

Io estava livre do cativeiro, mas não dos tormentos de Hera. O fantasma de Argos continuava a persegui-la. Para piorar sua situação, a deusa enviou um moscardo para picar a novilha constantemente durante sua fuga.

Io perambulou de Micenas para Eubeia. Atravessou a Ilíria e subiu o monte Hemos, na Trácia. O mar cujas praias percorreu recebeu o nome de Mar Iônio. O Bósforo, que liga o Mar de Mármara ao Mar Negro, cujo significado é Passagem da Vaca, foi batizado assim após Io o ter cruzado a nado. Atravessou a Cítia e ao chegar ao monte Cáucaso, encontrou Prometeu acorrentado em uma rocha. O titã disse que, ao alcançar o Egito, ela seria restaurada a sua forma humana por Zeus e teria um filho. A criança seria a primeira de uma linhagem que culminaria com Héracles, que acabaria por libertar o próprio Prometeu.

Io fatalmente chegou às margens do Nilo. Cansada de tanto sofrimento, implorou a Zeus por um fim. O deus, comovido, foi falar com Hera e ambos restauram Io à sua forma humana.

Seu filho, ÉpafoEditar

Ela teve um filho, Épafo.

Hera enviou os curetes para sequestrar e matar o bebê, mas, depois que eles haviam levado Épafo, Zeus matou-os. Io foi até a Síria, e descobriu que a esposa do rei de Biblos estava amamentando seu bebê; mãe e filho retornaram ao Egito, onde Io se casou com Telégono, rei do Egito. Io fez uma estátua a Deméter, que os egípcios chamavam de Ísis, e passaram também a chamar Io de Ísis.

Épafo reinou sobre o Egito e se casou com Mênfis, filha do Nilo, e construiu a cidade de Mênfis. Eles tiveram uma filha, Líbia, que teve, com Poseidon, dois filhos, Agenor e Belo.

Interpretação do mitoEditar

O mito de Io pode ser interpretado como uma alegoria lunar, na qual a fuga da novilha representaria o movimento da Lua e os olhos de Argos, o céu estrelado.

Por vezes o mito de Io se confunde com os da deusa Ísis, Hator e mesmo Ishtar.

Uma pequena lenda paralela diz que as lágrimas da novilha Io caíram sobre as asas de um inseto, marcando-as eternamente e dando origem à bela borboleta Inachis Io.

Io é também uma das luas do planeta Júpiter, nomeado assim a partir da contraparte romana de Zeus.

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